Antevisão
Existe uma verdade no futebol que os jovens ainda não compreendem: que as muralhas mais fortes não são aquelas que resistem, mas aquelas que foram tantas vezes testadas pela corrente que aprenderam a ceder. Necaxa e Atlas, ao encontrarem-se no terreno da primeira equipa na Liga MX, apresentam exatamente essa verdade.
Tenho acompanhado este desporto há mais tempo do que a maioria de vocês está viva. E, ao longo de todos esses anos, aprendi que a questão de quem ganha é muitas vezes menos importante do que a questão de se a baliza vai ser testada em ambos os lados. Neste encontro, a resposta está escrita nos números como uma profetização em pedra.
O Atlas tem marcado em todos os seus últimos cinco jogos. Cinco de cinco. Nem um único jogo em que falhou em ultrapassar a linha defensiva do adversário. Venceram o Club Tijuana por 3–2 a 26 de setembro, empataram a 1–1 com o Guadalajara Chivas a 11 de outubro, e o padrão estende-se ainda mais para trás. Nos seus últimos dez jogos, oito desses dez viram ambas as equipas a marcar. Fora, ao longo de vinte jogos fora, nove desses vinte produziram golos de ambos os lados.
O Necaxa também não é alheio ao registo de golos. Marcaram em quatro dos seus últimos cinco jogos, sendo a única exceção uma derrota por 0–1 contra o Puebla em casa a 12 de setembro. Nos seus últimos dez jogos em todos os palcos, nove desses dez viram ambas as equipas a marcar. E aqui está o detalhe que mais importa: não conseguiram uma partida sem sofrer golos em nenhum dos seus últimos cinco jogos. Doze golos sofridos nesse período. Dois e meio por jogo. A muralha é fina, e o rio encontra o seu caminho.
O confronto direto confirma o que a forma individual sugere. Em vinte e dois encontros que remontam a 2016, ambas as equipas marcaram em doze desses vinte e dois. Os três encontros mais recentes nos últimos doze meses contam uma história mista — um 0–0 no terreno do Atlas em julho, um 0–1 no terreno do Necaxa em janeiro e um 5–3 no terreno do Atlas em dezembro. Dois desses três foram equilibrados. Mas o 5–3 foi uma festa de golos, e o padrão mais amplo em todo o histórico é de marcação mútua.
Agora, devo falar contra-argumento, pois a sabedoria exige que pesemos ambos os lados da balança. O registo do Necaxa em casa ao longo de vinte jogos é respeitável: oito vitórias, três empates, nove derrotas, sofrendo apenas 1,25 por jogo. O registo fora do Atlas ao longo de vinte jogos é menos confortável: oito vitórias, um empate, onze derrotas, sofrendo 1,75 por jogo. Há um argumento de que a disciplina defensiva da equipa da casa poderia produzir uma noite tranquila.
Mas tenho visto temporadas suficientes para saber que uma partida sem sofrer golos, ou duas, não reescreve a corrente. Os últimos dois jogos em casa do Necaxa produziram quatro e um golos sofridos, respetivamente. O seu registo defensivo nos últimos cinco jogos — zero partidas sem sofrer golos — conta uma história diferente do média de vinte jogos. E o Atlas, uma equipa que tem marcado em todos os seus últimos cinco jogos, não será facilmente silenciada.
O mercado precifica isto a 1.62, implicando aproximadamente uma probabilidade de 62%. A minha própria leitura das evidências coloca a probabilidade mais perto de 70%. As cotações são justas, talvez até generosas, para uma equipa que tem marcado em cinco jogos consecutivos a enfrentar uma equipa que não tem conseguido uma partida sem sofrer golos em cinco.
Pontos Chave:
- O Atlas tem marcado em todos os seus últimos cinco jogos; o Necaxa em quatro de cinco
- Nenhuma das equipas tem conseguido uma partida sem sofrer golos nos últimos cinco jogos
- Os últimos dez jogos de ambas as equipas mostram BTTS em 9 e 8 de 10, respetivamente
- Confronto direto: 12 de 22 encontros viram ambas as equipas a marcar
- O registo defensivo em casa do Necaxa (1,25 sofridos por jogo em 20) é o principal contra-argumento, mas a forma recente conta uma história diferente
O rio flui em ambas as direções neste jogo. A minha dica é Ambas as Equipas a Marcar: Sim a 1.62.


